O LIMITE DO SER HUMANO

Podemos ser mais rápidos, podemos ir mais fundo ou mais alto? Enfim, qual é o limite? Ainda sem explicação a fisiologia tenta explicar o grau de resistência humana, ou ate mesmo os nossos limites. Única coisa certa, que a expansão dos nossos limites começa a depender de uma mudança na própria carga genética. A cada olimpíada a humanidade se depara com novos recordes quebrados, lançando a duvida de aonde vamos chegar e qual será um recorde imbatível. A única certeza que temos hoje é que um limite não poderá ser ultrapassado, que é o recorde criado utilizando a carga genética humana original. Tal recorde terá um limite que poderá ser ultrapassado com a era da terapia genética aplicada ao esporte. Assim teremos super atletas, modificados geneticamente, como no filme “X man”, ou seja mutantes prontos para baterem recordes. A fisiologia vem ao longo de 30 anos estudando os limites biológicos do homem nos esportes. Sabe-se que cada modalidade esportiva exige padrões específicos de força, flexibilidade, potência muscular, densidade óssea, porcentagem de gordura corporal, capacidade cardiopulmonar, e sem falar nos genes adequado. Um exemplo disso, são os corredores Kenianos de maratonas, se destacam pela resistência e pela explosão, outro fato importante neles é a estrutura óssea, um exemplo disso é o desenho do joelho que é mais largo do que corredores de outros cantos do mundo, fazendo assim aguentarem mais os impactos e possuírem mais flexibilidade.
Numa prova de resistência, como a maratona, a gordura corporal é algo indesejável, notamos que os vencedores são altos, magros e com o esqueleto prevalecendo. Na piscina, porém, gordura na medida certa conta pontos, tanto que negros, mais enxutos, nunca foram bons nadadores, e que as mulheres “cheinhas” por natureza, brilham mais do que os homens nas provas aquáticas de longa distância.

Além dos esportes
A fisiologia do esporte é apenas um dos campos em que os limites do corpo humano têm sido testados. O impacto de condições ambientais extremas sobre o organismo, também tem levado especialistas a estudar como o homem se comporta em condições que desafiam a própria sobrevivência. So para ter uma idéia sobre limite, os alpinistas austríacos Peter Habeler e Reinhold Messner chegaram ao topo do Everest (8.848 metros de altura), sem auxilio de oxigênio complementar. Só para comparativo de tal façanha, a altitude de um Jumbo em vôo de cruzeiro é de apenas mil metros acima. Neste artigo faremos uma descrição do limite do ser humano em condições extremas.

A vida no frio
A temperatura mais baixa que um ser humano pode suportar é determinada pelo tempo de exposição, por isso, ao contrário da altitude e da profundidade, não é fácil estabelecer um limite humano para o frio. Além disso,o fator vento muda tudo. Uma temperatura de menos 29, suportável com agasalho suficiente, desce para 44 graus negativos com um vento de apenas 16 quilômetros por hora, congelando a pele em dois minutos. A 50 graus abaixo de zero, a pele nua congela em um minuto. O mergulho no gelo é o ápice de quem quer desafiar os limites do corpo para o frio. A água fria pode matar instantaneamente. Mas médicos, acreditam nas propriedades conservativas do gelo:
“Ninguém está morto enquanto não estiver quente e morto”. Pessoas já foram reanimadas depois de ficarem totalmente submersas em água gelada por minutos sem respirar.

A vida no calor
Por curtos períodos, o homem é capaz de suportar temperaturas superiores aos de ponto de ebulição da água, 100º C, sem que estas alterem significativamente sua temperatura interna. Experimentos mostram que temperaturas de até 127 graus podem ser suportadas durante 20 minutos. Acima disso, é a temperatura do corpo que começa a esquentar. E as células do cérebro são extremamente sensíveis ao calor corporal: 42 graus é o limite. Seres humanos podem viver confortavelmente em temperaturas ambientes bem superiores à do corpo humano, desde que o ar seja suficientemente seco. Em caso de umidade superior a 75%, o suor que normalmente refresca escorre do corpo como água, e isso causa desidratação.

A vida nas alturas
As montanhas fascinam os homens há séculos e certos povos ainda as reverenciam como morada dos deuses. Crenças à parte, só mesmo divindades conseguiram sobreviver permanentemente a altitudes acima dos 6 mil metros. As habitações humanas mais elevadas do planeta são os povoados de mineiros no Monte Aucanquilcha, nos Andes Chilenos, a 5.490 metros de altura. Com o advento do montanhismo, os efeitos do mal-das-montanhas tornaram-se mais conhecidos. De início, a pessoa se sente tonta, mas também eufórica, embriagada pelo ar rarefeito. Horas depois, isso dá lugar a um cansaço invencível, dor de cabeça, náuseas. A redução da densidade do ar significa que ele contém menos oxigênio, o que sobrecarrega os pulmões e afeta os músculos. Os dois austríacos que conquistaram o Everest precisaram de mais de uma hora para percorrer 100 metros até o topo. São exemplos de atletas especialmente dotados para um determinado fim, graças a um sistema respiratório capaz de se adaptar sem traumas em altitudes não humanas.

A vida sem água
As pessoas podem passar muitos dias sem comida, as greves de fome de mais de dois meses são exemplos disso, a vida sem água é impossível após mais de cinco dias. A sede, obviamente provoca desidratação. A maioria das pessoas pode suportar uma redução de 3 a 4% de água do corpo sem dificuldades. Uma perda de mais de 10% leva a deterioração física e mental. Perdas de 15 a 20% são fatais.
Quando a falta de água é acompanhada de calor, isso ocorre em 36 horas. Um fato desafiou essa lógica, foi a do mexicano Pablo Valencia, que se perdeu no Arizona em 1905 e até hoje conta nos livros de fisiologia como um fantástico fenômeno de sobrevivência. Passou sete dias e sete noites sem comer e beber nada, nessa região que é uma das mais quentes e secas da Terra. Ao ser encontrado, estava negro de sol. Suas pernas e braços estavam atrofiados às medidas de uma criança. Os olhos não piscavam. Estava surdo e cego, e não falava porque sua boca estava grudada. Uma semana depois internado, Pablo estava recuperado, mas esse é um caso excepcional.

A vida no fundo
A Fossa das Marianas, no Pacífico é o ponto mais fundo do solo oceânico, com 10.914 metros de profundidade. A profundidade média dos mares, 4 mil metros, só pode ser atingida por submarino atômico. Em matéria de mergulho o homem ainda engatinha, pois o mergulho livre mais profundo do homem contendo fôlego é de apenas 72 metros e foi realizado em 92 pelo italiano Umberto Pelizzari. Em 95 o cubano Francisco Ferreras atingiu a marca de 133 metros, mas ajudado por pesos. Sem estes pesos o homem tende a flutuar, porque, composto basicamente de água, o corpo humano tem densidade próxima ao meio líquido. Mesmo mergulhadores experientes, podem sofrer os efeitos da profundidade. Exemplo disso são os pescadores de pêrolas do Arquipélago de Tuamotu, no Pacífico, sofrem de tavarana, um mal que significa “cair loucamente”. Num único dia, pelo menos 50 dos 235 mergulhadores locais apresentam sintomas do mal, que vão da paralisia temporária à morte. Os pescadores mergulham até 40 metros e fazem de seis a 14 mergulhos por hora, ficando só cinco minutos na superfície entre um tempo e outro. Tempo curto demais para que o nitrogênio se dissolva em seus tecidos.

Bibliografia recomendada
ASHCROFT, Francês. A vida no limite – A ciência da Sobrevivência

Texto: Flávio Martins

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