ACAMPANDO COM CONFORTO

Muitas pessoas associam acampar com a falta de conforto. Geralmente muitas destas possuem no histórico um passado traumático em relação a vida de campista, porém um acampamento ruim é decorrente de vários fatores. Neste artigo passamos algumas dicas sobre produtos, técnicas para um bom acampamento e também pode ser utilizado como um guia para um camping confortável ou de lazer, o que difere de um camping de aventura.

Diferenças de tipo de acampamento: Lazer X Aventura
Camping de lazer – É aquele que o campista busca descansar, curtir a natureza, levar a família, conhecer um local ou fugir do stress do dia-a-dia. Basicamente as pessoas que buscam o camping para esta finalidade, procuram encontrar um lugar com sossego, aconchegante e bem estruturado.
Camping de aventura – Geralmente é o camping que o objetivo é concluir um trajeto, explorar uma região, realizar travessias ou conhecer locais de acesso mais complicados. Difere-se do camping de lazer pelo número de equipamentos que o aventureiro campista carrega, pois para realizar tais aventuras busca-se o mínimo de cansaço, considerando então a menor quantidade e o menor peso dos equipamentos.

Traumas de acampamento
Várias pessoas afirmam que não gostam de acampar, outros falam que odeiam mato e muitos afirmam que não gostam de desconforto. Basicamente estes comentários ou atitudes repulsivas são marcas de pessoas que passaram alguma situação traumática em um camping mal organizado. Quantas vezes escutamos algumas pessoas afirmando que no primeiro camping passaram frio, fome, a barraca foi inundada, o camping não possuía estrutura adequada ou outros problemas comuns e primários em camping’s de baixa qualidade ou campistas que erraram na organização e planejamento.

Iniciando no mundo do campista
Antes de partir para o primeiro camping é bom seguir algumas regras para que este seja bem sucedido. Iniciamos aqui alguns passos básicos para um bom camping:
A Barraca – Logicamente o primeiro passo é a compra da barraca, ou se preferir, como sendo a primeira experiência, procure arrumar alguma barraca emprestada, caso perceba que acampar não é bem o que você espera, o prejuízo será menor.
Tamanho – Geralmente a capacidade de nº pessoas que os fabricantes informam não tem a ver com a realidade. Exemplo disso é uma barraca para três pessoas, como o fabricante afirma, porém cabem três pessoas, mas de forma muito apertada. Assim, é bom dar uma margem de folga. Uma barraca para três pessoas ficará ótima para um casal. Outro ponto que deve ser observado é a altura da barraca.
Muitas pessoas reclamam que a barraca é grande, mas é baixa, assim chega uma hora que acabam se cansando de andar agachados ou terem que trocar de roupa sentados. Também a largura e comprimento são fundamentais para quem busca utilizar colchão inflável.
Antes de comprar procure saber o comprimento do colchão e veja se cabe ou não dentro da barraca que vai utilizar. Mas não esqueça que quanto maior a barraca mais pesada será, assim caso queira carregar uma barraca por uma trilha de quilômetros a sugestão é buscar as pequenas para uso em camping’s de aventura. Se for para o camping de lazer, onde se carrega a barraca do carro para o camping vale a pena investir em uma barraca grande e um bom colchão. Assim seu sono e seu corpo agradecem o conforto.

Nacionais X Importadas
No mercado existem barracas importadas de vários países, como a Coleman dos EUA, a Ferrino da Itália, e outras Made in Taiwan. A origem da barraca não tem a ver com a qualidade. O que deve ser observado é o material utilizado e a assistência técnica que é oferecida ao cliente. Também vale lembrar que algumas marcas fazem barracas para cada tipo de clima ou região. Assim, pode ser que encontre barracas para serem utilizadas exclusivamente na neve ou no deserto, e quase sempre as importadas não possuem uma específica para o nosso clima. Este fato é importante, pois geralmente os manuais das importadas não são traduzidos para a língua portuguesa. Já ocorreu de utilizar uma barraca Coleman para deserto ou região arenosa, só que acampamos na Chapada dos Veadeiros, na época de final da seca, e na madrugada fomos surpreendidos por uma tempestade, o resultado foi acordar com a barraca inundada e ter que passar o resto da noite dentro do carro. Este fator é um dos que leva muitos campistas a utilizarem as nacionais e também o fato da assistência técnica.

Detalhes nas barracas
Um dos aspectos a serem considerados é o comprimento do sobre-teto (Teto externo da barraca ou o teto que fica visível). Ele é essencial para manter o conforto, especialmente em dias frios e chuvosos, porque o espaço que fica entre o sobre-teto e a barraca propriamente dita, propicia uma camada de ar que garante a manutenção da temperatura interna. Em locais frios isso é fundamental. Sem contar que em caso de chuva, como é muito comum no Brasil, o sobre-teto não pode encostar na barraca porque senão o ar condensa e começa a vazar água dentro barraca.
As chuvas fortes são os melhores momentos para testar a qualidade de uma barraca. E chuva que chega sem previsão é o que mais acontece neste país. Outro aspecto importante é a selagem das costuras, que pode ser por fita ou com produtos químicos.
A selagem por fita dura muito mais tempo, mas em compensação deixa a barraca um pouco mais pesada e também tende a descolar com o tempo. A selagem com produtos químicos é atualmente a mais usada. Também existe a possibilidade de comprar separadamente produtos para selar as costuras da barraca, como o Impermeabilizante de costuras.

Um detalhe que poucos observam é a distância entre o chão, a altura do fundo da barraca e o término do sobre-teto. Estas medidas devem combinar entre si para que não exista a possibilidade de entrada de água. Os fundos devem ser resistentes à umidade, podendo ser em náilon ou em prolipropileno trançado, que apesar de ser mais pesado é muito mais resistente. O vento é outro fator importante para testar a resistência de uma barraca. As armações de fibra ou alumínio propicionam uma flexibilidade que permite aguentar ventos fortes sem sair do lugar, apenas se curvando. Mas os esticadores laterais são importantes nessa hora, pois servem para estabilizar a barraca.

Quanto à ventilação, quanto mais alta for a barraca melhor a ventilação (no entanto, mais pesada ela será). Além disso, algumas barracas possuem duas portas, o que também facilita a circulação do ar quando usadas apenas com o mosquiteiro. Aliás, falando em mosquiteiros, eles são excelentes para as noites quentes pois permitem a ventilação e impedem a entrada de bichos na barraca. A tendência atual é colocar os mosquiteiros por fora da porta, assim a pessoa poderá de dentro da barraca, fechar a porta e deixar o mosquiteiro fechado sem abrir a barraca em nenhum momento. O tipo de porta foi um dos itens que passou por grande evolução. No início as portas eram em formato de U ao contrário (de cabeça para baixo). Isso fazia com que a porta caísse no chão, ou na lama, o que é pior, na hora de abrir a barraca. Depois elas passaram a ser em U (semi-circular, presas na parte de cima), mas continuavam pouco práticas para fechar pois necessitavam ser enroladas. Em seguida elas passaram a ser em U deitado, o que já ajudou muito, mas a área a ser presa e enrolada ainda continuava grande e isso quando você tem pressa pode atrapalhar bastante. Hoje, a tendência das barracas mais modernas é colocar a porta em formato circular completo, abrindo-se quase que completamente, com um pequeno pedaço fixo na barraca. Ao abrir o fecho basta embolar e guardar no bolso ao lado, com muita praticidade. O antigo modelo canadense está cada vez mais em desuso, até mesmo entre aqueles que não têm hábito de acampar constantemente, em função do menor aproveitamento lateral.

É importante avaliar em que tipo de lugar você costuma acampar para definir o modelo de barraca mais adequado. Hoje o mercado oferece diferentes tipos, para as mais diversas situações. Para que comprar uma barraca mais dispendiosa e menos ventilada, apropriada para neve, por exemplo, se você só acampa no Brasil e não tem intenção de subir uma alta montanha? Antes de comprar avalie todos os detalhes e coloque na balança o que melhor lhe atende, pensando numa relação custo x benefício.

Texto: Flávio Martins

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